Fonte: Pref. Timbó/SC • FURB • 2024

Questão 1642151

Leia o texto que segue: "Nascido nas ruas, criou-se nas quebradas das periferias. Sobrevive às dificuldades porque nunca anda sozinho. Traz consigo a consciência da força da coletividade. Com criatividade indócil, chegou ao mainstream sem tirar o pé do underground. Entrou nas casas e playlists da classe média alta, mas permanece periférico. Aos 50 anos, seu nome é rap, sigla em inglês para Ritmo e Poesia. Segue na luta conquistando espaços e travando batalhas − de MCs e slammers contra o preconceito, desigualdade, racismo e machismo, dando a letra através da oralidade e do corpo. Descobriu a performance como aliada na comunicação global. Ocupou as páginas dos livros e as teses e dissertações acadêmicas. O rap é a parte mais importante e literária do hip-hop, cultura tradicional urbana concebida nos anos 1970, nas periferias de Nova York, nos Estados Unidos, tendo a música como principal manifestação artística e na palavra sua fonte de longevidade. Palavra acompanhada pela paisagem sonora dos samples (trechos sonoros de uma música que são reutilizados) criados pelo DJ, diante do cenário colorido do grafite, embalando os b-boys no breakdancing. 'O rap positivou identidades periféricas, ressignificou a própria ideia de periferia, reconfigurou radicalmente os padrões estéticos, de modo que a MPB deixa de ser o principal modelo de compreensão, avaliação e juízo metodológico. Talvez o rap seja a mudança mais impactante na música brasileira nos últimos 30 anos', opina o doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), professor de literatura da Universidade de Pernambuco (UPE), Acauam Oliveira. Seu objeto de estudo do doutorado foi o maior grupo de rap do Brasil, o Racionais MC's, formado em 1988 por KL Jay, Ice Blue, Edi Rock e Mano Brown. Recentemente, o grupo recebeu o título de doutor honoris causa concedido pela Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo. Um dos álbuns da banda, Sobrevivendo no inferno (1997), figura na lista de leituras obrigatórias para o vestibular de uma das universidades mais importantes do país. 'A concessão desses títulos é um reconhecimento do quanto o grupo é importante no combate ao racismo e às desigualdades dentro de um país que confronta conceitos como cordialidade e democracia com aspectos coloniais e autoritários. Acho que a inserção do disco Sobrevivendo no inferno colocado em paralelo às obras literárias canônicas que vêm sendo indicadas para os vestibulares marca o reconhecimento da mudança de perfil dos estudantes − principalmente depois das cotas − e da própria universidade e de seus professores, querendo desenvolver as problemáticas sobre raça e desigualdade. Isso não quer dizer que, antes, não existiam pesquisadores pensando o rap, em particular, e o hip-hop, no geral. Mas as pesquisas não estavam muito conectadas 20 anos atrás. Agora eu acho que tem havido um projeto político de entender o hip-hop como possibilidade de pensar outras formas de conhecimento', declara Daniela Vieira dos Santos, professora de Sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, e coordenadora do projeto A nova condição do rap no Brasil. (Disponível: https://www.suplementopernambuco.com.br/acervo/pernambuco/89-reportagem/3202-no-ritmo-e-nas-rimas-da-literatura-oral.html. Acesso em 11 nov. 2024. Adaptado.) A partir da leitura do texto anterior, pode-se inferir que: I.O rap e o hip-hop colocam-se como possibilidade de pensar, junto com os/as estudantes, outras formas de conhecimento que não apenas as canônicas, legitimadas e autorizadas pelas elites intelectuais. II.O rap, enquanto linguagem verbal musicada e linguagem corporal, e o grafite, enquanto linguagem não-verbal, são excelentes exemplos de arte que traz à tona a periferia e a denúncia do racismo e das desigualdades, podendo ser trabalhados na escola, mas não no ensino de Língua Portuguesa, pois essas estruturas composicionais não são conteúdo dessa área. III.O rap positivou identidades periféricas, ressignifica a ideia de periferia e reconfigura os padrões estéticos, colocando-se também como meio para o trabalho interdisciplinar na escola, o que possibilita um aprendizado mais holístico dos/das estudantes, enquanto cidadãos e cidadãs em formação, ao invés de uma formação por blocos disciplinares sem interconexão. É correto o que se afirma em:

AI, apenas.
BIII, apenas.
CI, II e III.
DII, apenas.
EI e III, apenas.
Revelar resposta correta
Resposta corretaAlternativa correta: E

Estude com continuidade

Pratique mais questões de Literatura.

Configure quantidade, alternativas e cronômetro para praticar novamente Português e Literatura.

Continue praticando

Literatura4 alternativasSELECON2025

O Sítio do Picapau Amarelo é um clássico da literatura brasileira e seu autor foi:

Abrir questão
Literatura5 alternativasEDUCA2025

A Obra “A Bagaceira”, é do escritor paraibano:

Abrir questão
Literatura5 alternativasEDUCA2025

Filho de portugueses, esse escritor barroco nasceu em 20 de dezembro de 1636, em Salvador, no estado da Bahia, e faleceu em 26 de novembro de 1696, em Recife, Pernambuco. Ele escreveu poesia lírico-filosófica, sacra e satírica. Porém nenhum livro do autor foi publicado em vida, e

Abrir questão
Literatura5 alternativasEDUCA2025

Mais conhecido como “poetinha”, foi um escritor, cantor e compositor insuperável na cultura brasileira. Com um olhar atento ao mundo ao redor, os seus versos abordavam temáticas políticas e sociais, mas também falavam de emoções e relacionamentos. Um verdadeiro apaixonado, o poet

Abrir questão
Literatura5 alternativasEDUCA2025

A música "Ai! Se sêsse", é do Poeta Brasileiro:Se um dia nois se gostasseSe um dia nois se queresseSe nois dois se empareasseSe juntim nois dois vivesseSe juntim nois dois morasseSe juntim nois dois drumisseSe juntim nois dois morresseSe pro céu nois assubisseMas porém acontecess

Abrir questão